Senepol é tema em Congresso mundial de genética aplicada à produção animal

O Senepol foi tema de um dos painéis apresentados na edição deste ano do World Congress on Genetics Applied to Livestock Production, realizado no início deste mês em Roterdã, na Holanda. O Congresso é o principal evento de melhoramento animal do mundo e é realizado a cada quatro anos. O Dr. Gilberto Menezes, pesquisador da Embrapa Gado de Corte e do Programa Embrapa Geneplus, apresentou o estudo sobre a influência da mutação NT821 no gene da Miostatina sobre as características de carcaça medidas por ultrassonografia em animais da raça Senepol.

Desde 2018, explica o pesquisador, já é feito no Brasil o teste genético que avalia se os animais Senepol são portadores dessa mutação, ligada à ocorrência de musculatura dupla. O gado com as duas cópias dessa mutação apresenta um fenótipo bem característico, de muita musculatura e normalmente é descartado precocemente no processo reprodutivo.

A testagem mostra quais são os animais heterozigotos, com uma cópia da mutação, e quais são os livres. “Nosso estudo foi sobre a influência dessa cópia sobre a área de olho de lombo, espessura de gordura subcutânea e gordura intramuscular, que é o marmoreio. Para vermos o quanto uma cópia da mutação influencia nessas características”, explica Dr. Gilberto Menezes.

Foram estudados os dados de mais de 2 mil animais Senepol, através de uma parceria do Programa Embrapa Geneplus com a ABCB Senepol. A conclusão dos pesquisadores aponta que os bovinos com uma cópia apresentam uma área de olho de lombo entre 5% e 6% maior. Isso estaria relacionado com maior musculosidade e eventualmente resultaria em maior rendimento de carcaça.

Por outro lado, esses animais apresentam menor presença de gordura subcutânea e intramuscular. A redução observada pelos pesquisadores foi significativa, 10%, em comparação com os animais sem a mutação.

O trabalho fornece um recurso técnico a mais para ser utilizado pelos selecionadores e criadores da raça. O selecionador e o criador vão poder escolher se vale a pena ter um animal heterozigoto, que vai trazer um pouco mais de musculatura e eventual ganho de rendimento. Ou se é melhor buscar animais livres dessa mutação, garantindo mais acabamento, melhor marmoreio, mesmo que isso implique em ter um pouco menos de musculatura.

 

A escolha, acrescenta Dr. Gilberto, deve ser feita por cada um de acordo com o mercado e com o objetivo de cada selecionador ou criatório. “Nosso objetivo com esse trabalho foi colaborar, trazendo conhecimento para que tanto o selecionador quanto o produtor, que vai utilizar a raça na fazenda, possa tomar a melhor decisão de acordo com o seu objetivo.”

Compartilhe!

Notícias que você pode gostar!