Mais um recorde do maior exportador de carne bovina

Com recordes históricos em 2025, Brasil inicia 2026 atento ao impacto de tarifas e cotas, mas mantém protagonismo nas exportações.

Em dezembro, foram exportadas 304,9 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 50,6% superior ao registrado no mesmo período de 2024. O faturamento total apresentou resultado 70,4% maior na comparação anual, totalizando US$ 1,7 bilhão.

Não é segredo que, ao longo de 2025, as exportações brasileiras de carne bovina bateram recordes e foram um importante aliado no escoamento da produção. Em outubro, foi registrado o maior volume exportado da série histórica: 320,6 mil toneladas de carne bovina in natura.

Com isso, de janeiro a dezembro, o país exportou 3,09 milhões de toneladas de carne bovina in natura, um aumento de 21,3% em relação ao ano anterior e com faturamento total de US$ 16,6 bilhões, valor 42,4% superior ao de 2024.

O valor médio da tonelada foi de US$ 5,37 mil, montante 9,3% inferior ao recorde registrado em 2022, porém 17,4% acima na comparação anual.

Os principais destinos da carne bovina brasileira em 2025 foram: China, Estados Unidos, Chile, México e Rússia, nessa ordem.

China

A China segue como o principal destino da carne bovina brasileira, respondendo por 53,2% de todo o volume exportado. Foram embarcadas 1,64 milhão de toneladas para o país, o que representa um aumento de 24,6% na comparação anual.

O faturamento do período foi de US$ 8,8 bilhões, alta de 47,9% em relação a 2024. Com isso, o valor médio da tonelada enviada ao gigante asiático foi de US$ 5,3 mil, crescimento de 18,6% frente a 2024.

Nos últimos dias de 2025, foram divulgadas as medidas de salvaguarda chinesas, que estabeleceram ao Brasil, assim como a outros parceiros comerciais, cotas específicas, além da aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem esses limites. Para 2026, a cota estabelecida para o Brasil é de 1,1 milhão de toneladas, o que equivale a 68,7% do volume vendido em 2025.

Vale destacar que, caso essa cota tivesse sido aplicada em 2025, ela teria sido totalmente preenchida em setembro, deixando o último trimestre coma taxa adicional, justamente no período marcado pela maior intensidade de compras, devido ao Ano-Novo Chinês.

Na nossa visão, com as informações disponíveis, mudar de maneira relevante o mercado no curto prazo, principalmente se for firmado um novo acordo para que o volume já embarcado em 2025, mas ainda não internalizado pelo país, não seja contabilizado dentro do limite estabelecido, o que tem sido pleiteado pelas autoridades brasileiras.

Estados Unidos

Em julho, os Estados Unidos anunciaram que alguns produtos brasileiros, entre eles a carne bovina, passariam a ser taxados em 40% adicionais. A notícia trouxe preocupação ao mercado, já que o país ocupava a segunda posição entre os principais destinos da carne bovina brasileira.

Considerando o preço médio de julho para a praça de São Paulo, a arroba do boi gordo recuou 4,3% em relação ao mês anterior. Além da maior oferta de animais terminados, com uma arroba engordada atrativa, o ruído relacionado ao anúncio do governo americano contribuiu para esse movimento.

Em agosto, o volume embarcado foi 49% menor que em julho, mas o país continuou figurando entre os principais destinos da carne bovina brasileira. Mesmo com as tarifas, nos meses seguintes os volumes foram praticamente voltando ao patamar de antes da taxação adicional.

Em novembro, a carne bovina entrou na lista de exceções, com a retirada da tarifa. No fechamento do ano foram enviadas 229,6 mil toneladas de carne bovina in natura aos Estados Unidos, correspondendo a 7,4% dos embarques brasileiros, consolidando o país como o segundo principal destino.

México

O México foi o quarto principal destino da carne bovina brasileira, ampliando suas compras em 151,2% em 2025, na comparação com o ano anterior. Foram enviadas 117,6 mil toneladas ao país, com faturamento total de US$ 644,6 milhões, valor 194,2% superior na base anual.

Entretanto, em 2026, as empresas mexicanas poderão importar até 70 mil toneladas de carne bovina sem o pagamento de tarifa; o volume excedente passará a ser taxado em 20%.

Vale destacar, que devido à infestação da “bicheira-do-novo-mundo” (Cochliomyia hominivorax), os Estados Unidos proibiram a importação de gado vivo do México, o que contribuiu para o aumento da disponibilidade doméstica e, consequentemente, da produção. Segundo o último relatório divulgado pelo USDA, diferentemente de importantes produtores, como Brasil, Estados Unidos, União Europeia e Argentina, o México deverá aumentar sua produção de carne bovina em 2026.

Considerações

O desempenho das exportações brasileiras de carne bovina em 2025 reforça a posição do Brasil como líder global no comércio do produto sustentado por volumes recordes. A forte demanda internacional colaborou para o escoamento da produção, especialmente em um ano marcado por elevada produção de carne.

Para 2026, o cenário merece atenção e exigirá continuidade na busca da abertura de novos mercados. A competitividade da carne bovina brasileira, aliada à ampliação e consolidação de destinos outros destinos, tende a colaborar para diminuição dos riscos e abrir espaço para oportunidades.

Dessa forma, mesmo em um ambiente de maior incerteza, mas com crescente demanda por proteína animal, o Brasil deve seguir com volumes exportados em bons patamares, se não recorde, não muito longe dele.

fonte: portaldbo.com.br

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