Demanda chinesa cresce 38% e puxa recorde histórico de exportações em setembro; tendência pode marcar o início da virada do ciclo pecuário.
Em setembro de 2025, a China respondeu por 60% da carne bovina in natura exportada pelo Brasil, consolidando-se, mais uma vez, como o maior destino da proteína nacional. De cada dez quilos embarcados, seis tiveram como destino o mercado chinês — um aumento de 38% em relação ao mesmo período do ano passado.
O desempenho histórico levou a receita mensal recorde de US$ 1,767 bilhão, com 315 mil toneladas exportadas no período, segundo dados do setor. O volume reforça o protagonismo brasileiro no fornecimento global de carne bovina e demonstra o vigor da demanda chinesa, mesmo diante dos esforços locais para ampliar a produção interna.
> “Mesmo investindo em rebanho próprio, o apetite chinês cresce acima da produção interna”, destacou o especialista em exportações Rafael Xavier, fundador da RXM Trading, em entrevista ao programa Mercado Pecuário DBO.
🐄 Menor participação de fêmeas e sinais de mudança no ciclo
Além do recorde nas exportações, setembro marcou também uma mudança no comportamento do abate. A participação de vacas e novilhas caiu para 35%, o menor índice de 2025.
O movimento pode indicar retenção de fêmeas e uma possível virada de ciclo pecuário, com produtores começando a segurar matrizes para recompor o rebanho.
🌏 China, Alemanha e novos mercados em expansão
Atuando há mais de duas décadas no comércio internacional de carnes, Xavier acompanha a transição dos principais mercados compradores: “Já tivemos a Europa como grande destino nos anos 90, depois a Rússia e até a Venezuela entre 2008 e 2012. Hoje vivemos a era da China”, relembra.
A RXM tem presença constante nas principais feiras do setor, como a SIAL Xangai e a CIIE, além de participações recentes na ANUGA, na Alemanha, em parceria com a ABIEC.
Segundo Xavier, o evento europeu mostrou otimismo em relação à carne brasileira:
> “O Brasil tem um status sanitário muito positivo, e a carne é super bem vista em qualquer país em que trabalhamos”, afirmou.
Ele ainda aponta novas oportunidades: “O Sudeste Asiático é a bola da vez. Além disso, o Oriente Médio e as Américas voltaram a ampliar o consumo de carne, o que abre novas frentes comerciais para o Brasil.”
🔮 Perspectivas
Estudos indicam que o consumo per capita de carne bovina na China — atualmente entre 7 e 8 quilos por habitante — pode dobrar até 2030, alcançando cerca de 14 quilos por pessoa.
Se confirmada, essa tendência consolidará a Ásia como o motor da demanda global e manterá o Brasil em posição estratégica no comércio internacional de proteínas.








